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terça-feira, 1 de maio de 2012

A FARRA DO "C"

A farra com ares de galhorfa e algazarra
Carlinhos Cachoeira provocou uma enxurrada de denúncias que vem alagando os noticiários e provocando uma devastação em todos os setores de nossa sociedade. Senadores, advogados, policiais, inclusive de altas patentes e cargos nas diversas instituições policiais; prefeitos, governadores, jogadores de futebol e... Calma que ainda vem mais. Pode esperar!
Mesmo não nos causando surpresa alguma, as descobertas  fazem crescer a cada dia nossa indignação e incredulidade no que vemos e na possibilidade de mudanças no quadro de corrupção e desrespeito que assola nosso pais.
Pior que os fatos são as tentativas de explicações ou pior, o pouco caso dos envolvidos que na certeza de um novo escândalo daqui há pouco sabem que a mídia e o povo (ou vice versa) os “deixarão em paz”  logo,logo.
Carlinhos é contraventor, um chamado peixe graúdo e como tal tem vergonhosamente, mordomias e tratamentos diferenciados. Tem poderes e muita grana. Sempre fez com ela o que bem quis e gastou como bem entendeu e aí que a gente se lasca... Optou por comandar os tentáculos de sua quadrilha junto ao poder legislativo; orientando emendas ou promovendo vetos, criando leis que o mantivesse cada vez mais tranquilo e folgado longe do alcance das leis, da polícia e até de possíveis concorrentes.
No Judiciário pediu revogações e relaxamentos de prisões, desvios de papeladas, transferências de juízes e provavelmente orientou e determinou composições de equipes em audiências judiciais.
Na polícia corrompeu em troca de favorecimentos, informações, proteção, segurança e inércia. Ainda soltou uns trocadinhos por serviços extras como o de troca de equipamentos novos apreendidos por sucatas  ultrapassadas e fora de uso que precisava trocar no mercado dos caça níqueis. Os mesmos caminhões que roubavam os equipamentos de ponta dos galpões policiais, “devolviam” o lixo eletrônico, em troca...
No executivo, orientou licitações, injetou recursos em empresas, molhou a mão de “falsas concorrentes”; encorpou grandes  construtoras e ainda viabilizou através destas verdadeiras festanças, passeios, mordomias e divertimentos.
Ah...Empregou quem quis, aonde bem quis; patrocinou campanhas e elegeu muito mais parlamentares de sua base aliada que muitos partidos históricos de nosso processo democrático.
Cachoeira? Esse tal Carlinhos é um verdadeiro furacão, um tsunami...
              Aqui no Rio montou uma farra do C... Não tô falando palavrão, não! Do “C” mesmo: Cavendish, Cabral, Cortes e companheiras!
        O governador tem razão quando diz que não mistura amizade pessoal com política governamental e que não vê nada de mais em sair pra zoar, dançar, jantar, comemorar, botar lencinhos na cabeça com quem ele quiser... Eu também não, mas em que condições isso se deu?
Quando foi?
Teria sido em pleno advento da tragédia da Região Serrana do Rio , em Janeiro de 2011? Ou durante a greve dos bombeiros em junho do mesmo ano? Teria sido num dos momentos da crise na Saúde com mortes por falta de atendimento ou no caso Toesa? Ou durante o prende e solta do Coronel PM Djalma Beltrame na estranha crise entre as polícias? Ou  às- vésperas da Ocupação Policial de Ocupação da Rocinha? Portanto interessa saber quando...
Interessa saber onde
Por quê em Paris e não numa casa noturna carioca? Aquelas mesmas que nos referendaram a ganhar os eventos internacionais que teremos pela frente? Que furo o governador do Rio fazer noitada em Paris abdicando de nossas opções de lazer e gastronomia...Feio!
E sinceramente nos interessa saber o Por quê? De tanta farra, euforia, alegria, descontração... Galhorfa e algazarra?
Será que estavam rindo de mim? De vc? De todos nós? 
Fechando algum novo contrato? Montando um novo Edital de Licitação?
E a pergunta que mais intriga...Qual a relação dos envolvidos que foram os produtores das imagens com os denunciantes que se dizem adversários?
Em que condições esse material foi parar em suas mãos e a seguir em nossas casas via Tv , internet e mídia em geral?
As águas dessa cachoeira são muito perigosas, a gente sabe...

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Perdeu, Jogador!!!!

O que foi 2011 para cada um de nós, brasileiros? E cariocas? E os (ex,atuais ou eternos) moradores de favelasda cidade do Rio de Janeiro?                    Impossível fazer qualquer revisitação cronológica aos últimos 36 meses sem ter que se defrontar ou se dispor a discutir o fenômeno da pacificação ou como prefiro definir, desarmamento das favelas.
Tudo começa com o mecânico e monótono anúncio do Secretário de Segurança  do Estado ainda na    montagem da equipe de trabalho do governador Cabral em dezembro de 2006.
Iniciado o governo assistimos as velhas e repetitivas brincadeiras de gato e rato entre policiais e traficantes nos morros cariocas. Entre uma e outra ocorrência, os próprios bandidos  se degladiavam  até a morte entre si ou de inocentes - na maioria das vezes - na outrora rotineira guerra de facções. Ou seja, entre bandidos ou entre estes e a polícia, a população de bem estava sempre no meio, escudo vivo e alvo prioritário na recepção ao que se convencionou chamar de bala perdida.
Em  27 de junho de 2007 1.350 policiais, entre civis, militares e soldados da Força Nacional realizaram uma operação no Morro do Alemão e botaram prá quebrar e 19 pessoas foram mortas e várias outras feridas. Sete pessoas foram vítimas de balas perdidas, além de um policial.
Por pura coincidência trágica e lamentável, dois momentos marcantes me fizeram acreditar de vez que nada mais tinha jeito e que a guerra literalmente chamada, estava perdida.
Um ocorreu no dia 17 de outubro de 2007 quando durante operação policial na Favela da Coréia, Zona Norte do Rio de Janeiro, agentes, do interior de um helicóptero, despejou centenas de tiros sobre dois ou três meliantes que em fuga desesperada corriam sobre uma pedreira em busca de abrigo. Foram atingidos antes; em meio a transmissão em rede nacional pelos noticiários de TV com imagens exclusivas da TV GLOBO.
No outro caso também no mês de outubro, em 2009, portanto 2 anos depois; traficantes atingiram e derrubaram a tiros um helicóptero em Vila Isabel mais precisamente no Morro dos Macacos, matando três policiais militares e ferindo outros três. Novamente as câmeras de TV registraram o fato.
Tiro vai, tiro vem... Invade aqui, invadi ali, morre polícia, morre bandido, morrem inocentes a rodo... E eis que a torneira que jorrava sangue para todos os lados foi fechada de uma hora prá outra.
Em dezembro de 2009 após uma operação policial continuada que levou quase uma semana de incursões contínuas  no estilo varredura, a polícia expulsou os traficantes do Morro de Santa Marta e mesmo diante das seguidas notícias afirmando tal ocorrido a população descrente e desconfiada hesitava em acreditar.  Cento e doze policiais comandados por uma mulher a então capitã Priscila de Oliveira Azevedo foram os pioneiros nessa modalidade de policiamento.
A desconfiança do projeto não vinha apenas da população, “tem muito vagabundo que isso  logo vai acabar. Mas não vai acabar não, vamos levar esse projeto para outras comunidades", garantiu Sérgio Cabral, na ocasião. O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, afirmou em tom determinado  que "o (Morro de) Santa  Marta está livre da lei do fuzil".
As frases em tom de poder mostravam mais que a austeridade de um Secretário e a objetividade de um governador. Ela sinalizava para uma política de enfrentamento que combatia o tráfico com a única arma que os traficantes desconheciam e não sabiam manejar a da inteligência estratégica. E o empurrava justamente pro lugar onde ele é mais frágil e desorientado, as ruas da cidade ou com muita sorte para outro território de domínio de sua facção de atuação mas longe daquelas pessoas que o respeitavam , idolatravam ou temiam; os moradores de suas comunidades de origem.
Logo ganhou um nome: Unidade de Polícia Pacificadora.
Uma, duas, três ações de retomada e  logo após a faraônica e cinematográfica ocupação do Morro do Alemão de uma forma tão surpreendentemente tranqüila como nem mesmo os agentes e autoridades de segurança esperavam, foi por terra o mito e a apreensão de que as grandes comunidades e complexos poriam por terra a ousada política de ocupação policial sem confrontos.
Hoje os dilemas são outros: A consistência e a estatização dessa política, o entrosamento e ação conjunta com ações sociais, a garantia que a durabilidade vai para além dos calendários esportivos internacionais, formas e fórmulas de não deixar que a corrupção contamine agentes e desanime a população e a criação de uma política de drogas real que separe usuários de traficantes, que regulamente seu uso, consumo, porte e transporte. Que crie mecanismos claros de prevenção e tratamento, que se crie uma regulamentação que gere impostos e deles proteção para o cidadão e a sociedade como um todo e finalmente que tire do policial o papel de herói, vilão e juiz...
Quanto as pacificações, são uma aposta. Até aqui muito gente joga a favor, outras claramente contra.
Nesse jogo até agora...Se você jogou contra, PERDEU, JOGADOR!!!


sábado, 19 de novembro de 2011

No vácuo do "Nem"...

Já estão ficando cansativas as notícias referentes a prisão do traficante "Nem" da Rocinha. Assunto batido e requentado que vem se alimentando das buscas incansáveis e apreensões diárias de armas e drogas no outrora badalado principal entreposto de venda e consumo de drogas do Estado que desde a madrugada do domingo 13 de novembro foi ocupado pelas Forças de Segurança com vistas à criação da 19ª Unidade de Polícia Pacificadora da cidade.
Que "Nem" era um criminoso procurado, todo mundo sabe. Sua fama ultrapassou os limites das fronteiras brasileiras e sua “periculosidade” e maestria em se esquivar das garras da polícia e da justiça também não era segredo; assim como não era do desconhecimento de ninguém que o maior poderio que garantia a distancia entre o traficante e seus caçadores eram as generosas e polpudas quantias que era obrigado a desembolsar semanalmente para agradar aos setores corruptos da Polícia, em  suas mais diversas instancias.
Tão logo assumiu o controle da venda de drogas na favela da Zona Sul carioca, o menino pacato e tímido que apesar de apaixonado por futebol nunca conseguira agradar seus treinadores e professores das diversas escolinhas de futebol pelas quais passou, ganhou logo um apelido curioso e promissor: Mestre
Ao mesmo tempo em que escrevia as páginas mais cruéis da história de sua vida, "Nem" dava aos governantes e dirigentes brasileiros exemplos de apoios e incentivos ao esporte, cultura e ações sociais das mais diversas.  Fala-se em investimentos na casa dos R$ 200 mil mensais em gastos com escolinhas de futebol, Torneios esportivos e respectivas infra-instruturas, eventos diversos e muitas das atividades culturais que a comunidade desfrutou nos últimos seis anos. Difícil mensurar as centenas de cestas básicas distribuídas e melhorias de espaços esportivos na localidade... Ele deixou um legado que o estado e a sociedade precisam urgentemente chamar prá si e dar novos modelos gerenciais e continuidade.
São ações, iniciativas e sensibilidades que a priori as intervenções iniciadas e prometidas passam distante. Passam aliás, muito além da visão e interesse da maioria dos governantes.
A chamada “Invasão ou Ocupação Social” oferece carteiras de trabalho, identidade, empregos de nível médio em sua maioria, recupera iluminações, tapa buracos, recapeia asfaltos, oferece benefícios sociais mas de concreto o que fica mesmo são as imagens de um momento singular...único e pontual. Invariavelmente não há manutenção permanente. O Poder Público vai deixar tudo aí implantado e voltar para os gabinetes.
No reinado de "Nem" que de santo, bobo ou bonzinho não tinha nada, valia o olhar para as dificuldades das pessoas e os sonhos quase sempre inatingíveis das crianças e adolescentes principalmente. Ele não financiava Esporte e Cultura propriamente ditos, propiciava lazer e diversão; encontros e conversas; aproximações entre beldades da favela e patricinhas do asfalto, de torcedores e telespectadores com artistas e craques de ponta do meio artístico e esportivo, em momentos raros de igualdade de papéis e deslumbramentos recíprocos e inesquecíveis. Esse era "Nem"... Não, o "Mestre"!
O que preocupa agora é saber quem irá ocupar esse vazio e acalentar sonhos e lembranças. Quem vai pensar que esses milhares de órfãos de protagonismos, precisam urgentemente esquecer de vez a “era Nem” e as ações sociais do tráfico?
Não tem ação governamental que substitua no coração desses meninos e meninas uma figura (para eles) tão “do bem”... Que lhes entendia e atendia nas mais diversas ofertas e demandas pessoais ou coletivas. Alguém que era endeusado em raps de apologias às drogas, armas e sexo, mas também enaltecia a Rocinha como santuário e paraíso. Elevava a auto-estima dos que eram dali, nasceram ali, viviam ali...
Os governantes  tratam - e assim deve ser - apenas como um lugar igual aos demais, assim como as pessoas; as benfeitorias e oportunidades... São tudo números, dados e indicadores. Tudo muito quantificado, avaliado e orçado por técnicos e especialistas.
Na boca de fumo, "Nem" orçava tudo de cabeça, aprovava e fazia acontecer. Tráfico não tem contabilidade, registros e nem balancete, mas engana-se quem pensa que o Mestre não buscava o lucro, o crescimento, a hegemonia nos negócios. Investia primeiro, mensurava depois.
A verdade é que o traficante preso não deixou uma fórmula, mas mostrou que é possível... E assim como terá que pagar pelos crimes que cometeu; também nós, a sociedade e governantes seremos condenados; se deixarmos esse desafio de lado ou que "Nem" se torne o Hobin Hood do Século XXI.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

POR UM FINAL FELIZ


Infelizmente estão cada vez mais banalizadas e efetivamente se concretizando as ameaças de morte contra pessoas que em defesa da sociedade empunham bandeiras ou desenvolvem campanhas contra determinados crimes e criminosos. De norte a sul do Brasil há uma consternação coletiva com a morte de seringueiros, defensores da terra, da natureza, sejam elas testemunhas, militantes ou  autoridades; vide o caso da juíza Patrícia Aciolly, morta em agosto último em São Gonçalo, no Rio de Janeiro.
Já de alguns anos, uns quatro mais ou menos, o jovem e aguerrido Deputado Marcelo Freixo, conhecido militante dos Direitos Humanos, transformou o seu mandato num front de luta, enfrentamento e combate às Milícias, um crime até então “chapa branca” muito poderoso praticado no Rio de Janeiro.  Chamo de crime “chapa branca” porque várias vezes autoridades e até moradores justificavam a presença destes meliantes com uma simples justificativa: “pelo menos lá, não tem bandidos...”
O deputado passou a mostrar as nuances cruéis da prática delituosa e suas variações de crimes, iniciando assim uma cruzada contra a mais caçula e ao mesmo tempo mais antiga facção criminosa carioca. Sim porque já vem de longos anos a prática de expulsar bandidos e impedir o tráfico de drogas em determinadas comunidades e em nome dessa proteção, cobrar “módicas” quantias da população local. Já houve político em campanha que se orgulhou de ter laços estreitos com “regiões limpas” da cidade.
Freixo iniciou sua batralha pela mais conhecida milícia da Cidade, a Liga da Justiça, que tem como símbolo o escudo do Batman. Segundo investigações oficiais, os deputado e Vereador Jerominho e Natalino, respectivamente eram os chefes da quadrilha e foram presos, cassados e mandados para presídios federais bem longe do Estado e a quadrilha quase totalmente desbaratada. E hoje é justamente o “último” remanescente do grupo, foragido há poucas semanas que está com a missão de dar cabo à vida do Deputado. Testemunhas, investigações e até ligações grampeadas já revelaram o plano; as autoridades e a população já tem ciência e tiveram acesso na menor das hipóteses, via noticiários.
Aguerrido e determinado, Freixo não se intimida e só aumenta sua ostensiva luta contra a modalidade criminosa. A sociedade assiste e se indigna, torcendo para que dessa vez seja diferente. Por que seria?
Se o Governo Estadual é o primeiro a gritar que de nada sabe, se a polícia precisa ser muito bem depurada para evitar que em sua escolta possa se infiltrar servidores da facção, Se o judiciário está ainda cambaleante com o aviso em forma de (vinte e um) tiros na juíza fluminense, que o mandou “segurar a onda” ; Se nós, os militantes de Direitos Humanos, incrédulos estamos ainda às voltas com as homenagens justas (mas póstumas) à Patrícia Aciolly...
De que adianta um judiciário firme, uma polícia competente, uma investigação precisa e uma sociedade solidária e mobilizada, depois que a “casa já caiu”... Quero meus guerreiros vivos e combatendo. Não quero que virem herós e mártires de uma guerra que, se não gritarmos, jamais conseguiremos vencer.

OPINO E ANDO -: POR UM FINAL FELIZ

OPINO E ANDO -: POR UM FINAL FELIZ: Infelizmente estão cada vez mais banalizadas e efetivamente se concretizando as ameaças de morte contra pessoas que em defesa da s...

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

NÓS, CORRUPTOS!!!


Qual o sentimento que (de verdade) toma conta do brasileiro quando o assunto é a corrupção? Não creio sinceramente que o ato em si gere tanto repúdio e estranhamento, pois se assim fosse a postura das pessoas no cotidiano seria muito diferente dessa chamada “cultura” da vantagem coletiva. O que gera consternação geral é a divulgação, a escandalização através das manchetes de revistas e jornais, sobretudo das artimanhas e favorecimentos palacianos ou parlamentares de Brasília e/ dos governantes, Brasil a fora.
Sejamos sinceros e autênticos: Há um mal estar coletivo com a corrupção, entretanto, é senso comum no Brasil que o brasileiro em geral não se nega a levar algum tipo de vantagem.
Começamos a trilhar o caminho do favorecimento desde o momento em que acionamos um conhecido (político ou não) para avançarmos numa listagem de aprovados num concurso ou vaga de emprego, quando entregamos ao caixa do banco um determinado valor para ser depositado sem que precisemos entrar na fila, o “qualquer” pro flanelinha “deixar” estacionar em local impróprio; acionamos um conhecido para conseguir uma vaga na escola para o filho, etc. Atitudes nunca estampadas na mídia, uma vez que não somos pessoas públicas e que em tese “não prejudica ninguém”. Como não?
Recentemente uma respeitada gestora terceirizada de um serviço público de saúde com salários na casa dos R$ 18 mil; possuidora de três planos de saúde, um deles inclusive com direito a translado aéreo em todo o território nacional, submeteu-se a uma cirurgia num grande hospital público carioca, por sua “longa amizade com o Cirurgião chefe da equipe”; na mesma unidade hospitalar. D. Maria Eufrásia, 56 anos, moradora da favela do Vidigal aguarda há 27 meses uma intervenção cirúrgica para correção de um problema na cervical. Isso pode? Escandaliza? È ou não um absurdo?
Independente do cargo e salário da beneficiada, quem de nós rejeitaria de pronto a oportunidade relâmpago? Quem de nós não acionaria um conhecido para livrar um paciente de um problema de saúde, ignorando a conhecida e longa fila de espera que sempre tem em todos os lugares?
Passaria horas enumerando comportamentos que “normalizamos” no dia a dia e ferem nossa ética e moral de cidadãos. Porém ficamos estarrecidos quando abrimos os jornais e nos defrontamos com escândalos no mundo político. Mal de recursos públicos, uso indevido da máquina administrativa, redes de clientelas, taxas de favorecimentos e tantas outras ações indevidas que configuram sensação de mal-estar coletivo e absurdos comportamentais, que nos levam a olhar bastante céticos os rumos que o país tem tomado.
Quando criamos um movimento por um Brasil sem corrupção, temos que ser plenos a começar por rejeitar o olhar diferenciado para siglas, símbolos e personagens.
Um caso que envolva o político, o ator, o empresário, o jornalista ou o jogador de seleção, só tem um poder maior de repercussão que o dos demais atores da sociedade; o cidadão comum e o que é pior; após a horrorização coletiva, a população chama prá si própria uma grande sensação de impotência; volta a tolerar a corrupção e fica apenas aguardando qual será o próximo escândalo na revista semanal, jornais e TV.
Na melhor das hipóteses começa um movimento nas redes sociais, procura-se um culpado (geralmente quem colocou a tartaruga no muro), pede-se impeachment no caso do político; a cabeça do treinador (jogador de futebol) ou compaixão, no caso de um estrela televisiva.
Afirma-se ainda que o brasileiro tem a cultura da corrupção; sendo essa a maior das inverdades; não existindo nenhuma comprovação científica ou acadêmica para tal conclusão.
O que nos falta mesmo é coragem de banir os corruptos e abrir mão do jeitinho e da vantagem que nos abrem portas e diminuem esforços. Falta vergonha na cara.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

QUEM PARIU MATHEUS QUE O BALANCE....


Saio com amigos e colegas de trabalho para almoçar ali mesmo no Odeon da Glória, no centro do Rio de Janeiro. Ao invés do chopp bagunceiro e da caipifruta que acompanha a feijoada de sexta feira, . uma comidinha a kilo com gosto e cheiro de segunda, acompanhado de uma água mineral gasosa. Após uns quarenta minutos o regresso ao trabalho através da passagem subterrânea da estação do metrô... Na saída quase que sem perceber a bolsa de uma amiga bate na cabeça do negrinho sujo de short rasgado e feições muito bonitas, só percebidas após eu adverti-la do descuido e “cobrar” em seu nome uma multa de R$ 1,00 para “ajudá-lo nas despesas”...
Sorridente, Matheus (esse é o seu nome), diz que não precisa mas pede um dinheiro para comprar um outro short ou um prato de comida. Seguimos o padrão de interlocução de praxe nessas ocasiões e alegamos só termos cartões de refeição. O menino sempre com jeitinho carinhoso e uma simpatia contagiante prolonga a conversa e informa ser oriundo da Baixada Fluminense, especificamente Duque de Caxias. Ali onde está localizado está a beira de ser cooptado pelas “forças do mal” que já lhe chegou muito perto...
Há uma semana numa olhadela pelos parques e praças da região, um colega já o tinha visto, sob o cobertor de uma mulher de uns 25 anos aparentes que tinha consigo outras crianças. Não sei o que Matheus fazia com ela muito menos ali na escadaria do metrô.
Queria comida, mas não havia. Nem quem a desse. Nem quem acreditasse que era “só isso”...
Queria uma outra roupa. Ninguém deu, ninguém tinha, nem queria saber...
Na estação, queria talvez sair dali. Ir para outros lugares, destino, outro rumo...
Ah! Matheus aparentava no máximo onze anos de idade...
Dinheiro ninguém tem, ninguém dá...
Dá Pena... Sentimento preconceituoso e covarde!
Dá arrependimento, de ter medo, de ter nojo, de ter raiva... Se não de Matheus, de outros que como ele, porém mais sujos, mais velhos, mais envolvidos com a rua e seus perigos, já não mais se contentem em pedir.
Não são coitados... Não são!
Nem culpados! Muito menos inocentes eles são... de 5, 6, 11, 15 e quantos anos tiverem de vida.
Vida? Quem deu vida a Matheus? Quem os atravessou em nosso caminho? Quem os colocou em nossa vida? Em nossa vida, não!
Matheus passou... Como o dia de ontem, como o frio de semanas atrás...
Não vou me lembrar dele nunca mais; por que não tenho motivo nenhum para isso.
Eu não fiz nada por ele e ele não fez nada contra mim...
Seguimos em frente...Eu sem culpa e Matheus sem destino.

É PÊEEENALTI...


Ninguém viu, mas a seleção brasileira de futebol foi eliminada na tarde/noite deste domingo, 17 de julho após desperdiçar todas as quatro penalidades na disputa contra a Seleção do Paraguai que tal qual uma cobra venenosa se encolheu o jogo inteiro e deu bote final exatamente na decisão por pênaltis.
Como ninguém viu? Perguntariam-me alguns. Respondo: Pelo que leio hoje através das redes sociais, todo mundo já sabia, ninguém nunca acreditou, ninguém perdeu tempo em assistir... Fui o único bobalhão que ousou se enganar.
Mas não é isso que me importa... O que me importa é que esse nosso povo/técnico/torcedor amanheceu na manhã de hoje revestido do mais alto espírito cívico – desportivo - patriótico de que já se ouviu falar. Decepcionado com uma seleção que não consegue se impor sobre os adversários mais fracos, domina o jogo mas não converte em gols. Com um treinador que, ainda segundo os torcedores, assiste patético aos jogos e não sabe mexer no time e quando mexe, não muda o cenário do jogo, muito menos faz gol e, o pior, perde (todos os) pênaltis decisivos.
Cada povo tem o governo, digo, seleção que merece,. Na vida social e política do país não é muito diferente. A treinadora nacional ou os estaduais escalam um time que apresenta volume de jogo (projetos), faz jogadas mirabolantes (ações), comete faltas gravíssimas (corrupção, desvios de verba e pacos investimentos sociais) mas não consegue fazer gols (melhorar a vida do povo). Faturam milhões em salários e prêmios, contratos milionários (com empreiteiras e multinacionais) e na hora das cobranças (literalmente falando) sai pela tangente ou linha de fundo se preferir deixando-nos todos boquiabertos, atônitos e decepcionados. E por seu lado, o povo ó...
Já sabia, não votou, não quer nem saber de nada e acredita de fato que “pior do que ta não pode ficar...”   
Atitudes que deixa-nos todos com cara de bola, na marca do pênalti esperando alguém do time do Mano bater...

terça-feira, 12 de julho de 2011

BUEIROS NOS ARES - A tragédia Zona Sul

A Prefeitura do Rio vai contratar uma empresa, em caráter de emergência, ou seja, sem licitação, para monitorar os bueiros das concessionárias de luz e gás. O objetivo é que a companhia apresente um relatório que demonstre a situação dos bueiros. O Crea-RJ será o órgão responsável por indicar as empresas que podem ser contratadas e pela criação do termo de referência para a contratação da mesma, bem como o detalhamento das especificações e tarefas que a empresa escolhida terá que cumprir. Segundo o Secretário de Serviços e Conservação da Prefeitura, a empresa escolhida deverá informar as autoridades e as agências reguladoras a situação das caixas a fim de evitar novas explosões. O contrato pode ser de até 2 anos
Peraí... Pára tudo! Contratar uma empresa mãe Dinah para “adivinhar” quando e qual bueiro será o próximo a explodir ? Fazer um contrato de emergência de 24 meses? Como assiiiiiim? Outra pergunta que não quer se calar... Só

explodem bueiros na Zona Sul, Centro e Tijuca, por quê? Não explodem na Barra, em Benfica, Jacarepaguá, Rocha Miranda, Madureira, Pavuna, Baixada.
Tem algo de estranho por trás dessa “revolta dos bueiros”. Em primeiro lugar definiram sem mais nem menos que os bueiros explosivos eram da Light (Empresa de Eletricidade do Rio de Janeiro), apesar de vários deles terem espalhado fortes cheiros de gáz antes das explosões. A empresa por seu lado “não estranhou” nem um pouco e aceitou a “acusação” de algoz dos pedestres zona sul. A CEG outra “habitante” dos ditos buracos não só não foi citada como uma possível causadora, como tirou onda com a co-irmã alegando que nenhum bueiro da empresa nunca houvera ido pros ares. Polícia, Assembléia Legislativa e Câmara Municipal nem se mexeram para investigar motivos ou possibilidades pelas quais tais explosões incendiárias têm ocorrido.
Na minha cabeça de leigo paira uma dúvida que talvez ajude a encontrar a solução no caso de ser mesmo a Light a grande vilã. Chuveiro elétrico suga mais energia que ar condicionado? Creio que sim pois passamos uim verão tranqüilo e só agora no inverno estamos nesse torneio de amarelinhas da Zona Sul/Centro.
Ao invés de enquadrar a prestadora de serviço, o Prefeito resolveu faturar em cima, literalmente, estipulando em R$ 100 mil a “multa” por cada bueiro voador.
Nessa história toda alguém tem que se dar bem, não é mesmo, amigo leitor? Você não achou que seríamos nós, a população.