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segunda-feira, 18 de julho de 2011

QUEM PARIU MATHEUS QUE O BALANCE....


Saio com amigos e colegas de trabalho para almoçar ali mesmo no Odeon da Glória, no centro do Rio de Janeiro. Ao invés do chopp bagunceiro e da caipifruta que acompanha a feijoada de sexta feira, . uma comidinha a kilo com gosto e cheiro de segunda, acompanhado de uma água mineral gasosa. Após uns quarenta minutos o regresso ao trabalho através da passagem subterrânea da estação do metrô... Na saída quase que sem perceber a bolsa de uma amiga bate na cabeça do negrinho sujo de short rasgado e feições muito bonitas, só percebidas após eu adverti-la do descuido e “cobrar” em seu nome uma multa de R$ 1,00 para “ajudá-lo nas despesas”...
Sorridente, Matheus (esse é o seu nome), diz que não precisa mas pede um dinheiro para comprar um outro short ou um prato de comida. Seguimos o padrão de interlocução de praxe nessas ocasiões e alegamos só termos cartões de refeição. O menino sempre com jeitinho carinhoso e uma simpatia contagiante prolonga a conversa e informa ser oriundo da Baixada Fluminense, especificamente Duque de Caxias. Ali onde está localizado está a beira de ser cooptado pelas “forças do mal” que já lhe chegou muito perto...
Há uma semana numa olhadela pelos parques e praças da região, um colega já o tinha visto, sob o cobertor de uma mulher de uns 25 anos aparentes que tinha consigo outras crianças. Não sei o que Matheus fazia com ela muito menos ali na escadaria do metrô.
Queria comida, mas não havia. Nem quem a desse. Nem quem acreditasse que era “só isso”...
Queria uma outra roupa. Ninguém deu, ninguém tinha, nem queria saber...
Na estação, queria talvez sair dali. Ir para outros lugares, destino, outro rumo...
Ah! Matheus aparentava no máximo onze anos de idade...
Dinheiro ninguém tem, ninguém dá...
Dá Pena... Sentimento preconceituoso e covarde!
Dá arrependimento, de ter medo, de ter nojo, de ter raiva... Se não de Matheus, de outros que como ele, porém mais sujos, mais velhos, mais envolvidos com a rua e seus perigos, já não mais se contentem em pedir.
Não são coitados... Não são!
Nem culpados! Muito menos inocentes eles são... de 5, 6, 11, 15 e quantos anos tiverem de vida.
Vida? Quem deu vida a Matheus? Quem os atravessou em nosso caminho? Quem os colocou em nossa vida? Em nossa vida, não!
Matheus passou... Como o dia de ontem, como o frio de semanas atrás...
Não vou me lembrar dele nunca mais; por que não tenho motivo nenhum para isso.
Eu não fiz nada por ele e ele não fez nada contra mim...
Seguimos em frente...Eu sem culpa e Matheus sem destino.

É PÊEEENALTI...


Ninguém viu, mas a seleção brasileira de futebol foi eliminada na tarde/noite deste domingo, 17 de julho após desperdiçar todas as quatro penalidades na disputa contra a Seleção do Paraguai que tal qual uma cobra venenosa se encolheu o jogo inteiro e deu bote final exatamente na decisão por pênaltis.
Como ninguém viu? Perguntariam-me alguns. Respondo: Pelo que leio hoje através das redes sociais, todo mundo já sabia, ninguém nunca acreditou, ninguém perdeu tempo em assistir... Fui o único bobalhão que ousou se enganar.
Mas não é isso que me importa... O que me importa é que esse nosso povo/técnico/torcedor amanheceu na manhã de hoje revestido do mais alto espírito cívico – desportivo - patriótico de que já se ouviu falar. Decepcionado com uma seleção que não consegue se impor sobre os adversários mais fracos, domina o jogo mas não converte em gols. Com um treinador que, ainda segundo os torcedores, assiste patético aos jogos e não sabe mexer no time e quando mexe, não muda o cenário do jogo, muito menos faz gol e, o pior, perde (todos os) pênaltis decisivos.
Cada povo tem o governo, digo, seleção que merece,. Na vida social e política do país não é muito diferente. A treinadora nacional ou os estaduais escalam um time que apresenta volume de jogo (projetos), faz jogadas mirabolantes (ações), comete faltas gravíssimas (corrupção, desvios de verba e pacos investimentos sociais) mas não consegue fazer gols (melhorar a vida do povo). Faturam milhões em salários e prêmios, contratos milionários (com empreiteiras e multinacionais) e na hora das cobranças (literalmente falando) sai pela tangente ou linha de fundo se preferir deixando-nos todos boquiabertos, atônitos e decepcionados. E por seu lado, o povo ó...
Já sabia, não votou, não quer nem saber de nada e acredita de fato que “pior do que ta não pode ficar...”   
Atitudes que deixa-nos todos com cara de bola, na marca do pênalti esperando alguém do time do Mano bater...

terça-feira, 12 de julho de 2011

BUEIROS NOS ARES - A tragédia Zona Sul

A Prefeitura do Rio vai contratar uma empresa, em caráter de emergência, ou seja, sem licitação, para monitorar os bueiros das concessionárias de luz e gás. O objetivo é que a companhia apresente um relatório que demonstre a situação dos bueiros. O Crea-RJ será o órgão responsável por indicar as empresas que podem ser contratadas e pela criação do termo de referência para a contratação da mesma, bem como o detalhamento das especificações e tarefas que a empresa escolhida terá que cumprir. Segundo o Secretário de Serviços e Conservação da Prefeitura, a empresa escolhida deverá informar as autoridades e as agências reguladoras a situação das caixas a fim de evitar novas explosões. O contrato pode ser de até 2 anos
Peraí... Pára tudo! Contratar uma empresa mãe Dinah para “adivinhar” quando e qual bueiro será o próximo a explodir ? Fazer um contrato de emergência de 24 meses? Como assiiiiiim? Outra pergunta que não quer se calar... Só

explodem bueiros na Zona Sul, Centro e Tijuca, por quê? Não explodem na Barra, em Benfica, Jacarepaguá, Rocha Miranda, Madureira, Pavuna, Baixada.
Tem algo de estranho por trás dessa “revolta dos bueiros”. Em primeiro lugar definiram sem mais nem menos que os bueiros explosivos eram da Light (Empresa de Eletricidade do Rio de Janeiro), apesar de vários deles terem espalhado fortes cheiros de gáz antes das explosões. A empresa por seu lado “não estranhou” nem um pouco e aceitou a “acusação” de algoz dos pedestres zona sul. A CEG outra “habitante” dos ditos buracos não só não foi citada como uma possível causadora, como tirou onda com a co-irmã alegando que nenhum bueiro da empresa nunca houvera ido pros ares. Polícia, Assembléia Legislativa e Câmara Municipal nem se mexeram para investigar motivos ou possibilidades pelas quais tais explosões incendiárias têm ocorrido.
Na minha cabeça de leigo paira uma dúvida que talvez ajude a encontrar a solução no caso de ser mesmo a Light a grande vilã. Chuveiro elétrico suga mais energia que ar condicionado? Creio que sim pois passamos uim verão tranqüilo e só agora no inverno estamos nesse torneio de amarelinhas da Zona Sul/Centro.
Ao invés de enquadrar a prestadora de serviço, o Prefeito resolveu faturar em cima, literalmente, estipulando em R$ 100 mil a “multa” por cada bueiro voador.
Nessa história toda alguém tem que se dar bem, não é mesmo, amigo leitor? Você não achou que seríamos nós, a população.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

SANTA PARATY... CULTURA PARA NÓS!


De 6 a 10 de julho 2011 aconteceu a 9ª Festa Literária Internacional de Parati (FLIP) um dos mais importantes festivais literários como os que acontecem em Hay-on-Wye, de Adelaide, Harbour front de Toronto, Festival de Berlim, entre outros. Uma das principais características da Festa é integrar autores mundialmente conhecidos nacional e internacionalmente com novos autores o que estabeleceu desde a primeira edição um padrão de excelência às edições seguintes.
Dos brasileiros, alguns dos autores mais talentosos já passaram por alguma edição, como Ariano Suassuna, Millôr Fernandes, Ferreira Gullar, Luis Fernando Veríssimo, Zuenir Ventura e Lygia Fagundes Telles.
A festa mescla também a Música Brasileira, com shows de abertura que já ofereceram aos convidados a chance de assistir Chico Buarque, Paulinho da Viola, Gilberto Gil, Caetano Veloso e Adriana Calcanhoto entre outros. A iniciativa é lógico, já entrou no calendário oficial da cultura nacional e mexe com todos os setores da cultura, gastronomia e turismo, cultiva a ideia de preservar e valorizar as artes e a literatura á partir Paraty e abre um caminho de encontro e interação com culturas diversos outros lugares.
Também Santa Teresa abriu suas portas e janelas, suas casas e garagens, ocupou calçadas e recantos para o evento que leva milhares de pessoas comuns e dezenas de artistas que trabalham com arte, para visitar o circuito de ateliês, espaços culturais, bares e restaurantes , barzinhos, lojas e projetos sociais e passear pelas ruas e ladeiras do charmoso bairro. É a 21ª edição do “Arte de portas abertas”, que já faz parte do calendário cultural da cidade. Nesses dias, esse recanto histórico fica mais agitado e ganha um colorido especial que se espalham ainda mais por suas famosas e estreitas ruas.
O evento teve início na quinta, dia 07 de julho quando os artistas fizeram o “Cortejo do Santo Vinho”. Saindo da Rua Felício dos Santos em direção ao Parque das Ruínas, Rolou muita poesia, performances, vinho para o público em geral. Um tipo de evento que leva as pessoas pra as ruas e as torna mais alegres!! De Paraty as Santa Teresa passando por todos os cantos e recantos da cidade, vivemos de uns tempos prá cá esse momento mágico da leitura em primeiro lugar. A descoberta pela literatura, sobretudo infantil e juvenil que apontam para um futuro sem amarras e de descobertas intermináveis. Sociedade culta e de opinião e posicionamento. Sinaliza também para as artes de uma forma especial e todas as suas vertentes. Para a cultura de modo geral e para essa sinergia mágica que invisibiliza fronteiras, idiomas e linguajares... Usa a diversidade temática como soma e não como divisão de preferências entre o público.
Enaltece, homenageia e eterniza nossos autores; dos mais famosos ao mais novato. Do mais velho ao iniciante. Das margens da baía de Paraty aos trilhos de Santa Teresa uma tsunami literária, artística e de exposições diversas, desnuda nossa vasta capacidade de comunicação, criação e valorização e coloca o Brasil independente de rankings, no topo da cultura mundial.
Na FLIP A Tenda dos Autores, espaço nobre dos debates dos convidados da festa, às margens do rio Perequê-Açu, é o principal espaço das atividades da Flip, mas não o único; Tenda do Telão, onde as imagens das mesas são exibidas ao vivo para o público que não conseguiu ou não pôde pagar o ingresso mais caro na outra tenda, também na direção do rio ; Em seguida, colocaram estandes, trazendo uma lojinha e espaços para atividades de patrocinadores, apoiadores ou parceiros da Festa Literária.
Em Santa Teresa tá tudo muito bem espalhado nos mais de 80 diferentes pontos de atração artística, gastronômica e de visitações. E quem disse que o povo não gosta e não prestigia?
Só mesmo quem não entende de cultura ou de bom gosto...

domingo, 10 de julho de 2011

ESTADO DE ESPÍRITO




Tenho um orgulho muito grande de ser carioca e desfilar o jeito carioca de ser meio malandro, meio otário, de acordo com a ocasião, a situação e o local onde me encontro.
Curtir o mar e a montanha independente da direção para a qual me volto e a diversidade paisagística e ambiental deste lugar
As lindas e convidativas praias cariocas não refrescam mais nem melhor que as deliciosas cachoeiras de nossas serras e campos... Chalés, lareiras, vinhos e fomdues...dão o tom ideal a essa nossa  diversidade cultural.
Cariocar é sambar na Portela e forrozear na Feira de São Cristóvão, tomar um chopp na Lapa e uma cachaça com carne de sol na feira da (rua) Teixeira Ribeiro, na Maré ou mesmo no largo do santinho, no Vidigal. Fazer da bermuda e camiseta o vestuário da sexta feira, do tênis e das havaianas o calçado predileto todos os dias.
É curtir com pesar a cervejinha obrigatória, no bar de esquina da Rua São João Batista, em frente ao cemitério de mesmo nome, em Botafogo, na entrada ou saída de um velório.
Fazer da praia o divã, escritório e recanto de fé... Ali poder orar, pregar e fazer oferendas. É o lugar mais democrático e eclético que há.
Fazer xixi na rua é feio mas tem a cara desse povo “sem frescuras” e sem apertos...
Alternar Bicicleta, Skate e patins nas “caminhadas” e roles... e “cagar” para as celebridades que lhe cruzam o caminho.
Ser carioca é colocar “X”  em todas as pronúncias, tirar casquinha de jornal na banca ou na pessoa que se senta ao seu lado no ônibus... Comprar atestado médico e sonhar com a mega sena que não joga.
Carioca gosta da sogra e nutre carinho pelo cunhado apesar da sílaba inicial.
Cria vocabulários, adjetivos e apelidos para tudo e todos...
Faz piada com acontecimentos trágicos e tragédias com simples finais de novelas ou campeonatos de futebol.  
Do Rio ou do Brasil a fora... Não importa o estado de origem; no carioca o que vale é o estado de espírito.
O carioca faz do bar sua casa e de sua casa, para os amigos, um legítimo botequim.
É gente boa, sincero e marrento! Fala fácil, é simpático e chega junto!  Curte o asfalto e a favela e ignora na medida do possível a diferença de classes sociais;  
Enfrenta  de mau humor filas e engarrafamentos, xinga a chuva e faz simpatias para ter o sol de volta; duvida da meteorologia. Passa por blitzs com bom humor, se esquiva de bala perdida e de bueiro explosivo...
Carioca é Foda!!!

segunda-feira, 4 de julho de 2011

É TUDO INFORMAL OU PIOR

Não sei se chamo de informalidade ou estado paralelo a realidade em que a gente vai se acostumando a ver e muitas vezes para qual somos empurrados por conta de uma cidade e /ou estado que se eterniza também por tornar mais prático e funcional o “mundo ilegal”.
Ele se inicia com o trabalhador que após cansativas buscas por um emprego formal é obrigado a submeter-se aos bicos ou biscates através dos quais obtém rendimentos muito mais generosos que os salários que obteria num único emprego de jornada de 48 horas semanais, carteira assinada e benefícios. Além de ser seu próprio patrão ainda equilibra-se na organização de sua agenda e trabalha simultaneamente em dois ou três empregos. Por descuido e economia não paga autonomia nem outros benefícios e impostos.. Assim, não contribui com a arrecadação necessária para o desenvolvimento de políticas públicas que viriam a lhe beneficiar mais tarde
Em suas locomoções não se preocupa em se deve utilizar o transporte regular ou o alternativo pirata. Não é de sua culpa se o proprietário paga ou não, o imposto sobre o sabão em barra ou o leite em pó que ele compra de emergência e improviso na birosca perto de casa, por não ter tempo de ir ao supermercado. Ou se comprar a promoção de 7 pãezinhos por R$ 1 no comércio sem alvará é mais vantajoso que adquiri-lo a peso, na padaria do bairro. Os impostos em dia, são o que lhes são cobrados automaticamente ou seja o IR – Imposto de Renda, IPI – Imposto Sobre Produtos Industrializados, IOF – Imposto Sobre Operações Financeiras e ICMS - Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços.
Ambienta-se a favela como esse espaço de desvios e inadimplências dando como razão a ausência do estado nestas regiões. Grande equívoco, entretanto. O Estado sempre esteve presente nas favelas, Ainda que de forma equivocada, fragmentada, desacreditada, cheia de brechas e incoerências.
E segue o cidadão de pouca fé nos direitos e poucos recursos de manobra financeira. A luz de sua casa é “amortizada” por fraude no medidor, pois a Companhia de eletricidade não lhe institui a chamada Tarifa Social; não paga IPTU porque sua rua não tem pavimentação, nem esgoto, muito menos limpeza urbana pois a Prefeitura não lhes fornece o serviço.
Por esse conjunto de ausência de direitos é chamado de caloteiro. Mais que isso, criminoso e marginal. Ninguém lembra, entretanto que esse é o legado que ele recebe dos governantes que lhes sonegam professores para a escola quebrada e vazia onde seus filhos estão matriculados, mas não podem estudar, para o posto de saúde desaparelhado de profissionais e equipamentos, onde tem cadastro, mas não tem consulta; Para o transporte público cujo Vale transporte eletrônico não serve para nada; pois só consegue se locomover de moto taxis e vans piratas e irregulares. Compra o gás do miliciano, paga mais caro sem poder reclamar pois o dono do negócio é também o servidor público que no outro dia levará as melhorias que o lugar precisa e garantirá a segurança local. Seu lazer é o pagode, funk ou show com grandes nomes da MPB que o traficante vai bancar e a comunidade inteira vai curtir ou sofrer sem reclamar do alto som e indiscriminado consumo de drogas pelas ruas e vielas sob a proteção de forte aparato bélico.
A impressão que tenho é que criminalidade, informalidade e omissão(do poder público) são faces de um mesmo dado, onde a quarta figura é a sonegação oriunda dos desvios de verbas pública, propinação generalizada entre os gestores públicos dando e recebendo comissões, percentuais e facilidades envergonhando somente as pessoas de bem da sociedade que indignadas lavam as mãos, viram as costas e deixam de “querer saber”... Carta Branca prá corrupção.

sexta-feira, 1 de julho de 2011