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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

NÓS, CORRUPTOS!!!


Qual o sentimento que (de verdade) toma conta do brasileiro quando o assunto é a corrupção? Não creio sinceramente que o ato em si gere tanto repúdio e estranhamento, pois se assim fosse a postura das pessoas no cotidiano seria muito diferente dessa chamada “cultura” da vantagem coletiva. O que gera consternação geral é a divulgação, a escandalização através das manchetes de revistas e jornais, sobretudo das artimanhas e favorecimentos palacianos ou parlamentares de Brasília e/ dos governantes, Brasil a fora.
Sejamos sinceros e autênticos: Há um mal estar coletivo com a corrupção, entretanto, é senso comum no Brasil que o brasileiro em geral não se nega a levar algum tipo de vantagem.
Começamos a trilhar o caminho do favorecimento desde o momento em que acionamos um conhecido (político ou não) para avançarmos numa listagem de aprovados num concurso ou vaga de emprego, quando entregamos ao caixa do banco um determinado valor para ser depositado sem que precisemos entrar na fila, o “qualquer” pro flanelinha “deixar” estacionar em local impróprio; acionamos um conhecido para conseguir uma vaga na escola para o filho, etc. Atitudes nunca estampadas na mídia, uma vez que não somos pessoas públicas e que em tese “não prejudica ninguém”. Como não?
Recentemente uma respeitada gestora terceirizada de um serviço público de saúde com salários na casa dos R$ 18 mil; possuidora de três planos de saúde, um deles inclusive com direito a translado aéreo em todo o território nacional, submeteu-se a uma cirurgia num grande hospital público carioca, por sua “longa amizade com o Cirurgião chefe da equipe”; na mesma unidade hospitalar. D. Maria Eufrásia, 56 anos, moradora da favela do Vidigal aguarda há 27 meses uma intervenção cirúrgica para correção de um problema na cervical. Isso pode? Escandaliza? È ou não um absurdo?
Independente do cargo e salário da beneficiada, quem de nós rejeitaria de pronto a oportunidade relâmpago? Quem de nós não acionaria um conhecido para livrar um paciente de um problema de saúde, ignorando a conhecida e longa fila de espera que sempre tem em todos os lugares?
Passaria horas enumerando comportamentos que “normalizamos” no dia a dia e ferem nossa ética e moral de cidadãos. Porém ficamos estarrecidos quando abrimos os jornais e nos defrontamos com escândalos no mundo político. Mal de recursos públicos, uso indevido da máquina administrativa, redes de clientelas, taxas de favorecimentos e tantas outras ações indevidas que configuram sensação de mal-estar coletivo e absurdos comportamentais, que nos levam a olhar bastante céticos os rumos que o país tem tomado.
Quando criamos um movimento por um Brasil sem corrupção, temos que ser plenos a começar por rejeitar o olhar diferenciado para siglas, símbolos e personagens.
Um caso que envolva o político, o ator, o empresário, o jornalista ou o jogador de seleção, só tem um poder maior de repercussão que o dos demais atores da sociedade; o cidadão comum e o que é pior; após a horrorização coletiva, a população chama prá si própria uma grande sensação de impotência; volta a tolerar a corrupção e fica apenas aguardando qual será o próximo escândalo na revista semanal, jornais e TV.
Na melhor das hipóteses começa um movimento nas redes sociais, procura-se um culpado (geralmente quem colocou a tartaruga no muro), pede-se impeachment no caso do político; a cabeça do treinador (jogador de futebol) ou compaixão, no caso de um estrela televisiva.
Afirma-se ainda que o brasileiro tem a cultura da corrupção; sendo essa a maior das inverdades; não existindo nenhuma comprovação científica ou acadêmica para tal conclusão.
O que nos falta mesmo é coragem de banir os corruptos e abrir mão do jeitinho e da vantagem que nos abrem portas e diminuem esforços. Falta vergonha na cara.

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