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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Perdeu, Jogador!!!!

O que foi 2011 para cada um de nós, brasileiros? E cariocas? E os (ex,atuais ou eternos) moradores de favelasda cidade do Rio de Janeiro?                    Impossível fazer qualquer revisitação cronológica aos últimos 36 meses sem ter que se defrontar ou se dispor a discutir o fenômeno da pacificação ou como prefiro definir, desarmamento das favelas.
Tudo começa com o mecânico e monótono anúncio do Secretário de Segurança  do Estado ainda na    montagem da equipe de trabalho do governador Cabral em dezembro de 2006.
Iniciado o governo assistimos as velhas e repetitivas brincadeiras de gato e rato entre policiais e traficantes nos morros cariocas. Entre uma e outra ocorrência, os próprios bandidos  se degladiavam  até a morte entre si ou de inocentes - na maioria das vezes - na outrora rotineira guerra de facções. Ou seja, entre bandidos ou entre estes e a polícia, a população de bem estava sempre no meio, escudo vivo e alvo prioritário na recepção ao que se convencionou chamar de bala perdida.
Em  27 de junho de 2007 1.350 policiais, entre civis, militares e soldados da Força Nacional realizaram uma operação no Morro do Alemão e botaram prá quebrar e 19 pessoas foram mortas e várias outras feridas. Sete pessoas foram vítimas de balas perdidas, além de um policial.
Por pura coincidência trágica e lamentável, dois momentos marcantes me fizeram acreditar de vez que nada mais tinha jeito e que a guerra literalmente chamada, estava perdida.
Um ocorreu no dia 17 de outubro de 2007 quando durante operação policial na Favela da Coréia, Zona Norte do Rio de Janeiro, agentes, do interior de um helicóptero, despejou centenas de tiros sobre dois ou três meliantes que em fuga desesperada corriam sobre uma pedreira em busca de abrigo. Foram atingidos antes; em meio a transmissão em rede nacional pelos noticiários de TV com imagens exclusivas da TV GLOBO.
No outro caso também no mês de outubro, em 2009, portanto 2 anos depois; traficantes atingiram e derrubaram a tiros um helicóptero em Vila Isabel mais precisamente no Morro dos Macacos, matando três policiais militares e ferindo outros três. Novamente as câmeras de TV registraram o fato.
Tiro vai, tiro vem... Invade aqui, invadi ali, morre polícia, morre bandido, morrem inocentes a rodo... E eis que a torneira que jorrava sangue para todos os lados foi fechada de uma hora prá outra.
Em dezembro de 2009 após uma operação policial continuada que levou quase uma semana de incursões contínuas  no estilo varredura, a polícia expulsou os traficantes do Morro de Santa Marta e mesmo diante das seguidas notícias afirmando tal ocorrido a população descrente e desconfiada hesitava em acreditar.  Cento e doze policiais comandados por uma mulher a então capitã Priscila de Oliveira Azevedo foram os pioneiros nessa modalidade de policiamento.
A desconfiança do projeto não vinha apenas da população, “tem muito vagabundo que isso  logo vai acabar. Mas não vai acabar não, vamos levar esse projeto para outras comunidades", garantiu Sérgio Cabral, na ocasião. O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, afirmou em tom determinado  que "o (Morro de) Santa  Marta está livre da lei do fuzil".
As frases em tom de poder mostravam mais que a austeridade de um Secretário e a objetividade de um governador. Ela sinalizava para uma política de enfrentamento que combatia o tráfico com a única arma que os traficantes desconheciam e não sabiam manejar a da inteligência estratégica. E o empurrava justamente pro lugar onde ele é mais frágil e desorientado, as ruas da cidade ou com muita sorte para outro território de domínio de sua facção de atuação mas longe daquelas pessoas que o respeitavam , idolatravam ou temiam; os moradores de suas comunidades de origem.
Logo ganhou um nome: Unidade de Polícia Pacificadora.
Uma, duas, três ações de retomada e  logo após a faraônica e cinematográfica ocupação do Morro do Alemão de uma forma tão surpreendentemente tranqüila como nem mesmo os agentes e autoridades de segurança esperavam, foi por terra o mito e a apreensão de que as grandes comunidades e complexos poriam por terra a ousada política de ocupação policial sem confrontos.
Hoje os dilemas são outros: A consistência e a estatização dessa política, o entrosamento e ação conjunta com ações sociais, a garantia que a durabilidade vai para além dos calendários esportivos internacionais, formas e fórmulas de não deixar que a corrupção contamine agentes e desanime a população e a criação de uma política de drogas real que separe usuários de traficantes, que regulamente seu uso, consumo, porte e transporte. Que crie mecanismos claros de prevenção e tratamento, que se crie uma regulamentação que gere impostos e deles proteção para o cidadão e a sociedade como um todo e finalmente que tire do policial o papel de herói, vilão e juiz...
Quanto as pacificações, são uma aposta. Até aqui muito gente joga a favor, outras claramente contra.
Nesse jogo até agora...Se você jogou contra, PERDEU, JOGADOR!!!


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